
Para iniciar a atividade de forma clara primeiramente deixarei bem explícito que tal análise é dada utilizando somente como objeto de observação a produção cinematográfica do ano de 1939 intitulada “O mágico de Oz”, não levando em consideração a obra literária que originou o filme, nem suas possíveis continuações ou qualquer outra obra com referência direta ou indireta sobre o universo contido em tal produção. A análise está sendo feita única e exclusivamente relação ao filme e seu conteúdo simbólico e nada mais.
A verdadeira odisséia enfrentada pela protagonista Dorothy interpretada por Judy Garland através de um mundo fantástico chamado Oz, pode ser vista por nós espectadores como uma jornada pelo amadurecer que em algumas ocasiões a vida nos proporciona. Todos as emoções e perigos as quais Dorothy é exposta no decorrer do filme tem uma clara referência ao que acontece a mim e a você leitor no decorrer de nossa vida que muitas vezes nos ajuda outras nem tanto mas no mínimo, são coisas que nos fazem enxergar o mundo de outra forma.
Claro que dentre muitas vertentes analíticas que obra pode ter principalmente por uma certa polêmica com uma banda famosa nos anos setenta chamada Pink Floyd e seu álbum “The dark side of the moon” escolhemos por uma linha de análise bem mais íntima e pessoal ( sem trocadilhos com o filme estrelado por Robert Redford) e partimos do vértice analítico de que a jornada de Dorothy no mundo de Oz nada mais é que uma jornada que nós também enfrentamos em nossa humilde existência para chegarmos a um ponto crucial para encararmos a vida chamado de: Maturidade.
Começando de fato nossa análise eu abordo primeiramente um ponto que é um dos marcos do filme, é a canção “Somewhere over the raimbow” talvez o principal ícone do filme que em sua tradução literal para o nosso humilde e subdesenvolvido idioma significa “Algum lugar além do arco-íris”. Ora caro leitor, perceba que nossa fofa protagonista com sua voz suave e afinada expressa para nós que sonha com um lugar em que seus problemas não existam, em que seus defeitos não incomodem , um lugar no qual encontre harmonia com tudo e com todos, um mundo em que sua inocência não atrapalhasse tanto sua vida nem que irritasse as pessoas que ela ama, da mesma forma que nós no ápice de nossa rebeldia e de nossa ingênua arrogância, fantasiamos um mundo em que podemos ser jovens, bonitos, brilhantes e queridos por todos pro toda a eternidade numa fonte ilusória de uma juventude infinita porém perigosa, pois afinal responda-me leitor: Não é isso que é ser jovem, acreditar que é eterno?
E assim como muitos de nós Dorothy sai de casa em busca de sua utopia mal começa seu trajeto e encontra um trailer de um vidente charlatão que atende pelo nome de professor Marvel(comentarei com mais detalhes posteriormente) o qual por meio de sua supostamente poderosa bola de cristal enxerga a morte da tia de nossa amada protagonista em função do sofrimento causado pela ida de sua sobrinha, Dorothy então desespera-se e volta correndo pra casa e partir daí ela ainda não sabe mas sua vida vai mudar.
O elemento de análise seguinte é o barulhento e confuso tornado(ou ciclone) como já citado anteriormente, Marvel. Nas proximidades de sua casa nossa heroína após tentar sair de casa resolve voltar em função das falsas previsões do charlatão Dorothy avista o tal monstro meteorológico e adentra desesperadamente sua casa na ilusão de achar alguém mas quando entra em seu quarto é atingida na cabeça pela janela que o vento forte arremessou, desacordando Dorothy e quando retoma a consciência ela olha pela janela vê cenas como sua tia e os empregados da fazenda voando do lado de fora no olho do tornado, mas a visão que mais assusta a menina é a da Srta. Gulch(já, já falo dela!) que de intrépida senhora em sua bicicleta transforma-se em uma bruxa horrível planando em sua vassoura até perder altitude e sua casa cair no chão.
Bem por onde posso começar análise de nosso lindo tornado? Eu acho talvez que todos que me lêem agora com certeza já ouviram falar de uma expressão bem comum que é: Depois da tempestade vem a Bonanza.
Pois bem partido do pressuposto de que todos os meus leitores conhecem o significado de tal expressão idiomática bem popular começo de fato minha análise. Primeiramente vejamos, Dorothy queria sair de casa e achar uma lugar no qual se sentisse bem quista e sem problemas, assim como todos nós um dia pensamos, então pergunte-se leitor: O que muitas vezes nos faz aprender coisas?
Problemas, é isso que nos faz adquirir experiência na vida, é isso que nos faz humanos. Algumas vezes temos tantos problemas que nos sentimos espectadores de nossas próprias vidas, tão escravos das circunstâncias que sentimos que não podemos fazer nada além de olhar nossas vidas pela janela sendo levadas pelo tempo, ou seja o tornado nada mais é que: Nossas crises, nossa overdose de problemas que não são nada mais que nosso primeiro passo para o amadurecimento.
Ainda no embalo do nosso querido amigo ventilado,temos outro elemento bastante significativo para nossa análise, as bruxas más, comecemos então pela Bruxa do Leste que a princípio vive no Kansas bem próximo de nossa heroína, aliás a primeira vez em que nossa heroína é avistada durante a película é fugindo da tal bruxa que neste mundo atende pelo nome de Srta. Gulch. Esta tal senhorita por sua vez vem à fazenda onde mora Dorothy com intuito de fazer uma reclamação por ter levado uma mordida de Totó, a aparência de velha ranzinza é substituída pela imagem tradicional de bruxa com direito a vassoura e gritos “aterrorizantes” durante o turbilhão de problemas pelo qual Dorothy passa, ou seja as bruxas simbolizam nossos medos, nossos principais temores que por mais que não sejam grandes coisas nos parecem bem piores quando se passa por uma má fase, onde os problemas se chegam como tornados e por mais que nossa situação melhore eles nunca vão deixar de nos perseguir, eles só vão mudar de aparência mas vão continuar os mesmos ou seja nós podemos matar a Bruxa má do Leste mas sua irmã a Bruxa má do Oeste sempre vai voltar para nos perseguir tudo que temos a fazer é saber enfrenta - la de frente sem desanimar e ter fé de que na vida tudo passa mas que problemas não deixam de existir nem em um mundo perfeito e colorido como a Terra de Oz.
Antes de um prosseguimento mais aprofundado eu gostaria de comentar de forma bem sucinta e rápida assim como nosso personagem este é o nosso grande Totó este esperto cachorrinho acompanha a protagonista ao longo de toda sua jornada pelo mundo encantado. O significado que o cãozinho apresenta é tão pequeno quanto seu tamanho mas tão expressivo quanto sua coragem. Notem que durante todo o filme a única coisa que liga concretamente Dorothy ao Kansas é Totó sendo ele o apoio moral à protagonista e isso no campo simbólico qual estamos utilizando para fazer nossa análise dentre os problemas a processos naturais pelos quais passamos no caminho da maturidade, Totó simboliza nossos ideais, conceitos e até sonhos que são quem nos deve nortear nessa difícil fase, para nunca perdermos nosso foco e muito menos desistir de nossos sonhos.
Dorothy ao cair na terra de Oz percebe um mundo colorido bem diferente do mundo em que vivera, ou seja parece que ela finalmente chegou onde queria, o mundo todo florido como sempre sonhou, nota que sua casa caiu por sobre a Bruxa ou seja o que simbolicamente significa que seus problemas foram finalmente superados e por fim parece ter encontrado à felicidade que não dura muito tempo, ao sentir-se desolada num mundo estranho Dorothy sente-se desolada, consultando a Bruxa Boa do Norte ela descobre que a única maneira de voltar pra casa e ver sua família de novo é ir ao encontro do Grande Mágico de Oz seguindo a estrada de tijolos amarelos que é o próximo fator a ser analisado.
A estrada de tijolos amarelos nada mais o nosso processo de vivência durante o amadurecer é o que teoricamente nos leva a vida ideal que nós tanto almejamos, é nela que a protagonista tem maior parte de suas experiências que são importantes para seu processo de amadurecimento.
A protagonista começa então a jornada ao seu desejo encontrando elementos que são essenciais para o resto da vida, assim como encontramos pessoas que nos são marcantes para nós por terem de certa forma contribuído para nossa existência. A primeira figura que Dorothy encontra é o Espantalho que precisa de um cérebro para assumir o controle da própria vida e não mais ficar exposto no milharal espantando corvos, logo em seguida encontra enferrujado o Homem de Lata que precisa de um coração para sentir todas as sensações que o mundo á sua tem volta pode oferecer desde a emoção de olhar uma flor até sentir o fogo de uma paixão seja ela verdadeira ou efêmera e por último o Leão Covarde que por sua vez quer coragem para recuperar todo seu respeito, perdido há tempos.
De certo ponto de vista figuras como estas todos nós encontramos pela vida e que de certa forma nos fazem amadurecer e nós tiramos um pouco de cada um de desses sentimentos e levamos para o resto de nossas vidas, são pessoas que nos dão coragem, nos fazem pensar e principalmente nos fazem amar. Juntos estes e Dorothy seguem a caminho da Cidade das Esmeraldas, mas isso é pra mais tarde...
A chegada na Cidade das Esmeraldas é marcada por uma interessante lingüística ex pressa no diálogo entre Dorothy e porteiro da cidade quando a menina diz que deseja ver o Grande Oz e o porteiro responde que ninguém nuca vê o Grande Oz, então ela complementa com outra pergunta pois se ninguém nunca vê o mago como sabem que ele existe?
É esta pergunta que define bastante a idéia da Cidade das Esmeraldas pois nada mais é que uma realidade construída onde tudo é perfeito é o nosso conceito de vida ideal tão propagada nas ideologias através nos meios de comunicação em novelas propagandas etc. Nós quando realizamos um sonho temos a impressão que aí por diante nada mais vai dar errado em nossas vida, mas com o tempo percebemos que não é bem por aí que a banda toca, e nossa Cidade das Esmeraldas desmorona em pedaços tão pequenos que acabam por escorrer pelas mãos num penoso processo de desilusão que por incrível que pareça nos é importante para viver.
O nosso último ponto a ser a analisado é o nosso personagem título o Mágico de Oz, este personagem é o mais interessante a ser analisado primeiramente por seu alter-ego, um andarilho que não passa de um feiticeiro charlatão e atende pelo nome de Professor Marvel, este mesmo aquele que faz uma “previsão” sobre a morte de Tia Em e este o papel dele durante o restante do filme, o de construtor de realidade um verdadeiro ilusionista este é o Grande Oz, um charlatão.
Apesar de ser uma farsa o mago tem dois lados, o primeiro eles estaria próximo ao que nós conhecemos como propaganda que é algo que nos diz o que supostamente é preciso pra ser feliz geralmente ligado a um produto, mas, quando conseguimos o que nos prometem, mudam de idéia e dizem que a felicidade esta em outras coisas, em síntese é tudo uma ilusão inescrupulosa, que nos promete a felicidade mas nunca nos dá. É o que acontece quando Dorothy e seus amigos vão fazer seus pedidos ao mágico e este pede a vassoura da bruxa má, por um lado isto pode ser visto como uma boa coisa pois deixa aquela idéia no ar de que, para conseguir o que se quer é preciso enfrentar nossos medos de frente. Quando voltam com o artefato pedido por Oz este tenta negar os pedidos e acaba sendo desmascarado, e acaba por dar algo para eles um diploma para o Espantalho que se sente mais inteligente a partir daí, o Homem de Lata recebe um relógio em forma de coração e passa a se sentir mais sensível e o Leão Covarde com sua medalha de coragem sentir mais corajoso. Em síntese ele apenas substituiu uma ilusão por outra visto que o se sentimentos sempre estiveram dentro dos personagens que os queriam, só precisaram de uma forcinha mais pra achar dentro de si próprios, assim com Dorothy também sente-se desolada quando o balão parte para o Kansas sem ela é quando a Bruxa Boa lhe diz que é só bater os sapatos de rubi e centrar o pensamento que votaria pra casa , ou seja realizar o que ela queria estava todo tempo a seu alcance, mas ela precisava de uma vivência para descobrir que: Não há nada melhor que nosso lar.
O que se pode aprender com Dorothy e sua jornada é o que acontece quando nós nos consideramos experientes, vivemos de tudo, conhecemos muitas pessoas, choramos e sorrimos para chegar á conclusão que: Ser feliz não é ter uma perfeita e sim saber tirar a perfeição de cada momento seja ele bom ou ruim, não precisamos procurar coisas novas só precisamos aprender a olhar as coisas de outra forma, isso é amadurecer.
Um comentário:
Termos o controle de nossos pensamentos, para pensarmos o que queremos. Termos o controle de nossos sentimentos, para sentirmos o que queremos. Termos os controle de nosso orgulho, para não nos exaltarmos nem nos rebaixarmos. Isso q se adquire com a maturidade, que é um caminho q não cessa jamais, como é lembrado no final de "A história sem fim": "...Bastian ainda voltou muitas e muitas vezes à Fantasia, mas essa é uma outra história". E, ao contrário do q possa parecer, não se entra nesse caminho por acaso ou acidente, por isso o proprio elemento q fecha o ciclo (o mago) foi o mesmo que propiciou seu inicio, ou seja, sabia o q estava fazendo. E por isso todos entramos nesse processo de amadurecimento impelidos por alguma força natural "que ninguem nunca vê", uma força psiquica. Mas, claro, alguns se perdem no vendaval. Por nos jogar na crise e assim poder nos oferecer a resolução, ao tempo certo, é que essa força parece tão dual. Uma outra "encarnação" muito recente desse elemento foi no filme "Licença para casar", com robie williams, representada pelo reverendo Frank. Mas exemplos não faltam, pelo menos praqueles que acreditam na manifestação dos arquétipos. Um comentário curto para um texto também curto.
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